No Vazio do Um
Sob o véu de Maya, o espelho quebrado, dizem que somos um — fragmentos apagados. Niilismo travestido de luz perene: o mundo, um eco; a vida, apenas um sonho. Apagam as vozes, dissolvem o rosto, desumanização em nome do "Absoluto". Quem chora a dor se é tudo ilusão? A carne, um erro; o amor, uma distração. Despersonalização: apedrejam o eu, e no altar do Brahman, erguem um pedestal frio. O Outro? Sombra. O abraço? Vaidade. Psicopatia sagrada em nome da verdade. Egoísmo espiritual, jornada sem retorno: salvar-se sozinho no mar do eterno. Enquanto sangram as feridas do chão, você medita, indiferente à escuridão. Ah, desamor cósmico, doutrina do vazio — negar a existência não cura o que é ferido. Na busca do Um, pisoteia-se o múltiplo, e a compaixão vira pó no templo...