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Mostrando postagens de abril, 2025

No Vazio do Um

Sob o véu de Maya, o espelho quebrado,   dizem que somos um — fragmentos apagados.   Niilismo travestido de luz perene:   o mundo, um eco; a vida, apenas um sonho.   Apagam as vozes, dissolvem o rosto,   desumanização em nome do "Absoluto".   Quem chora a dor se é tudo ilusão?   A carne, um erro; o amor, uma distração.   Despersonalização: apedrejam o eu,   e no altar do Brahman, erguem um pedestal frio.   O Outro? Sombra. O abraço? Vaidade.   Psicopatia sagrada em nome da verdade.   Egoísmo espiritual, jornada sem retorno:   salvar-se sozinho no mar do eterno.   Enquanto sangram as feridas do chão,   você medita, indiferente à escuridão.   Ah, desamor cósmico, doutrina do vazio —   negar a existência não cura o que é ferido.   Na busca do Um, pisoteia-se o múltiplo,   e a compaixão vira pó no templo...

Uma Desconstrução Cética do Advaita Vedanta

O Advaita Vedanta é uma das escolas filosóficas mais influentes do hinduísmo, pregando a não-dualidade (Advaita) e afirmando que a única realidade é Brahman, uma "Consciência Absoluta" impessoal, da qual o mundo material e o "eu" individual são meras ilusões (maya). Apesar de sua popularidade entre espiritualistas modernos, essa doutrina está repleta de contradições lógicas, ambiguidades linguísticas e alegações não falsificáveis que a tornam mais próxima de um exercício de fé do que de uma filosofia coerente.   Vamos examinar criticamente seus pilares fundamentais:   1. O Problema Lógico da Não-Dualidade (A) A Auto-Refutação do "Tudo é Um" O Advaita afirma que:   - "Apenas Brahman é real, tudo mais é ilusão."  - "O 'eu' individual não existe, é uma falsa percepção." Mas isso leva a paradoxos insolúveis:   - Se tudo é ilusão, como a afirmação "tudo é ilusão" pode ser verdadeira? Ela mesma seria parte da ilusão.   - S...

A ilusão do Eu e da individualidade, será?

Para fins sociais, políticos, espirituais e legais, um ser humano é considerado uma individualidade, já que possui um CPF, uma certidão de nascimento e um nome próprio. No entanto, do ponto de vista neurológico e psicológico, a questão é mais complexa. Pessoas com transtorno dissociativo de identidade (TDI), por exemplo, manifestam múltiplas individualidades, no sentido de apresentar duas ou mais personalidades distintas. Cada uma delas pode ter características muito diferentes, a ponto de uma personalidade não ter conhecimento das ações ou memórias das outras. Além disso, há casos em que uma identidade detém habilidades ou conhecimentos que as demais não possuem. Curiosamente, algumas personalidades podem até exibir sintomas de doenças, como asma, enquanto outras não apresentam nenhum sinal do mesmo distúrbio.   Outro fenômeno intrigante foi observado em um paciente cujo cérebro foi dividido como tratamento para uma forma grave de epilepsia. O experimento realizado por Gazzan...

A sombra da dependência psicológica em relação aos gurus

Os gurus espirituais e as lideranças religiosas em sua grande maioria criam dependência psicológica entre seus adeptos e fiéis das denominações as quais lideram.  Dependendo do nível de dependência psicológica, os seguidores e fiéis podem sofrer abusos de ordem emocional, física, mental e sexual. Existem diversos casos de lideranças do campo espiritual que cometeram abusos contra seus seguidores. Existem exemplos no Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Advaita Vedanta, etc. Seguem alguns exemplos: Budismo: O Caso Sogyal Rinpoche No budismo tibetano, Sogyal Rinpoche, autor do aclamado "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer", foi acusado por décadas de abusos físicos, emocionais e sexuais. Ex-alunos relataram que ele usava sua posição como "lama reencarnado" para justificar agressões, alegando que seus atos eram "ensinamentos" para "quebrar o ego" dos discípulos. A devoção cega aos mestres, princípio central em algumas linhagens, foi manipulada para s...

Alguns perigos das práticas de meditação e outras práticas asceticas

A prática de meditação pode ser benéfica para a saúde mental de muitas pessoas, mas nem sempre isso é o que acontece, tendo em vista o contexto cultural e religioso em que tal prática está inserida, bem como a existência de doenças mentais em alguns praticantes, onde a prática meditativa intensa por horas e também o canto de liturgias, sugestão coletiva de conceitos dogmaticos e crenças, leitura de textos que buscam desenvolver um tipo de ser humano ascético, santo, iluminado e idealizado tendem a agravar o problema mental dos praticantes, desenvolver indivíduos desumanizados e neuróticos. Também vale ressaltar, que existem estudos da neurologia, que apontam os perigos dessas práticas, onde ocorrem efeitos adversos provenientes da meditação intensa:   - Britton et al. (2013) – Pesquisa publicada em "PLOS ONE" identificou casos de ansiedade, despersonalização e até surtos psicóticos em meditadores avançados.   - Lindahl et al. (2017)– Estudo da "Brown University" mo...