O Conceito de Anatta no Budismo não é aquilo que muitos pensam
Anatta (não-eu) no budismo original não é uma negação metafísica da existência de um eu, mas uma estratégia prática de desidentificação para cessar o sofrimento. O Buda se recusou a afirmar se “existe um eu” ou “não existe um eu” (SN 44.10), pois ambas as visões são grilhões especulativos. Em vez disso, ensinou a analisar a experiência por meio dos cinco agregados (khandhas) que compõem o que convencionalmente chamamos de “ser”: forma (o corpo e a materialidade), sensação (tom afetivo agradável, desagradável ou neutro), percepção (identificação e rotulação dos objetos), formações mentais (intenções, hábitos, emoções e impulsos volitivos) e consciência (cognição sensorial e mental). Ao examinar cada agregado, percebe-se que são impermanentes, sujeitos ao sofrimento e incontroláveis. O praticante aplica então a percepção estratégica: “Isso não é meu, isso não sou eu, isso não é o meu eu”. Essa desidentificação progressiva evita o eternalismo e o niilismo, permitindo compreender o fl...