No Vazio do Um
Sob o véu de Maya, o espelho quebrado,
dizem que somos um — fragmentos apagados.
Niilismo travestido de luz perene:
o mundo, um eco; a vida, apenas um sonho.
Apagam as vozes, dissolvem o rosto,
desumanização em nome do "Absoluto".
Quem chora a dor se é tudo ilusão?
A carne, um erro; o amor, uma distração.
Despersonalização: apedrejam o eu,
e no altar do Brahman, erguem um pedestal frio.
O Outro? Sombra. O abraço? Vaidade.
Psicopatia sagrada em nome da verdade.
Egoísmo espiritual, jornada sem retorno:
salvar-se sozinho no mar do eterno.
Enquanto sangram as feridas do chão,
você medita, indiferente à escuridão.
Ah, desamor cósmico, doutrina do vazio —
negar a existência não cura o que é ferido.
Na busca do Um, pisoteia-se o múltiplo,
e a compaixão vira pó no templo do inútil.
Que adianta a fusão se o preço é a morte
de tudo que pulsa, que erra, que importa?
Não sou átomo perdido em um mantra vazio:
sou humano
— e meu sal também é brilho.
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