A ilusão do Eu e da individualidade, será?


Para fins sociais, políticos, espirituais e legais, um ser humano é considerado uma individualidade, já que possui um CPF, uma certidão de nascimento e um nome próprio. No entanto, do ponto de vista neurológico e psicológico, a questão é mais complexa. Pessoas com transtorno dissociativo de identidade (TDI), por exemplo, manifestam múltiplas individualidades, no sentido de apresentar duas ou mais personalidades distintas. Cada uma delas pode ter características muito diferentes, a ponto de uma personalidade não ter conhecimento das ações ou memórias das outras. Além disso, há casos em que uma identidade detém habilidades ou conhecimentos que as demais não possuem. Curiosamente, algumas personalidades podem até exibir sintomas de doenças, como asma, enquanto outras não apresentam nenhum sinal do mesmo distúrbio.  


Outro fenômeno intrigante foi observado em um paciente cujo cérebro foi dividido como tratamento para uma forma grave de epilepsia. O experimento realizado por Gazzaniga e LeDoux, revelou que os dois hemisférios cerebrais podiam ter opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, comportando-se como duas pessoas distintas em um único corpo. Em um dos experimentos de Gazzaniga e LeDoux realizado em 1978, quando questionado sobre por que havia rido de um filme engraçado, o hemisfério esquerdo (responsável pela linguagem) inventou uma explicação que não correspondia ao motivo real — este, processado pelo hemisfério direito.  


Esses casos desafiam a noção convencional de individualidade e de um "eu" unificado. Tais evidências parecem corroborar a doutrina do anatta (não-eu) presente no Budismo, que questiona a existência de um self permanente e indivisível.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Força que Nos Habita e o Universo que Nos Sustenta

A Misericórdia de Deus é maior no Inferno do Judaísmo que do Cristianismo

O Conceito de Anatta no Budismo não é aquilo que muitos pensam